Outubro
Deitado estava eu na terra em frente
dos infinitos campos de Castela,
naquele outono envolto na amarela
doçura de seu claro sol poente.
O arado em paralelo, lentamente,
deixava no terreno a sua estela
e as honestas mãos colocavam nela,
partida, na sua entranha, a semente.
Pensei o meu coração lá me arrancar,
cheio dum sentimento alto e profundo,
no sulco atirar do terroir terno,
a ver se com parti-lo e com plantar
mostrava a primavera pelo mundo
a pura árvore do amor eterno.
Juan Ramón Jiménez
(1881-1958)
Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.