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lesmo — Blog

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138 entradas · 13580 visitas
· 7 comentarios · ♥ 7 sextillas

De Salvador González García,
mi padre, al Sacromonte


¡Ay! Sacromonte gitano,
vecino del Albaicín,
no sé cuál será tu fin.
Pues por mucho que me afano
no consigo descubrir
quién pueda darte su mano.

En noches de primavera,
desde la Alhambra dormida,
oigo extinguirse tu vida.
Y mezclarse en la ladera
llantos de gitanas finas
con palmas de revoleras.

De la guitarra el lamento
y la hiriente soleá
dan muestras de tu orfandad.
¡Ay!, qué enorme sentimiento,
¡quién te pudiera salvar
de ese final que presiento!
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Eu vou sonhando caminhos


Estes caminhos sonheiros
das tardinhas. As douradas
colinas, verdes pinheiros,
azinheiras empoeiradas!...
Para onde o caminho irá?
Eu, cantando e caminhante
na trilhada vou adiante...
-A tardinha caindo está!-
“No meu coração eu tive
o espinho duma paixão;
tirei-o, porém não vive
sem espinho, o coração.”

E todo o campo um momento
se fica mudo e sombrio
meditando, soa o vento
nos choupos, perto do rio.
A tardinha fica escura
e o caminho serpenteia,
e debilmente branqueia,
e se perde nessa altura.
Canto, e volto a prantear:
“Espinho d’ouro afiado,
quem te pudesse notar
lá no coração, cravado!”

António Machado
(1875-1939)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador Gonzalez Moles e Geny Pereira.
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Ontem à noite dormia


Ontem à noite dormia,
sonhei, bendita ilusão!,
que uma fontana fluía
dentro do meu coração.
Diga, em que vala escondida,
água, tu vens até mim,
manancial de nova vida,
onde a beber nunca vim?
Ontem à noite dormia,
sonhei, bendita ilusão!,
porque uma colmeia havia
dentro do meu coração;
e as douradas abelhas
cumpriram um bom papel,
ao fazer com dores velhas,
branca cera e doce mel.
Ontem à noite dormia,
sonhei, bendita ilusão!,
que um ardente sol luzia
dentro do meu coração.
Era ardente porque dava
cores de vermelho lar,
o sol porque iluminava,
porque fazia chorar.
Ontem à noite dormia,
sonhei, bendita ilusão!,
que era Deus o quem vivia
dentro do meu coração.

António Machado
(1875-1939)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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Lembranças da infância


Uma tarde escura e fria
do inverno. Os colegiais
estudam. Monotonia
da chuva pelos cristais.
Lá num cartaz de papel
retratados são Caim
fugitivo, morto Abel
numa mancha cor carmim.
Com voz de sino alto e oco,
velho, o mestre é trovão,
magro, mal vestido, um bloco
e um livro leva na mão.
Toda a coral infantil
está cantando a lição:
mil vezes cem é cem mil,
mil vezes mil, um milhão.
Uma tarde escura e fria
do inverno. Os colegiais
estudam. Monotonia
da chuva pelos cristais.


António Machado
(1875-1939)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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A cigarra

Cante cigarra sua estrofe quente,
a mosca dance o ritmo do seu canto,
se enrosca sob sarçal uma serpente
e as videiras estendem verde manto.

As heras vão subtis em ascendente
tal qual cortina esplêndida, entretanto
que lembra a fonte rude e sorridente,
e o branco e fresco muro do recanto.

Não permita às asas a fadiga,
canta do campo o seu frutado gosto,
cheia de sol e do trabalho amiga.

Cantora excita ao inflamado agosto
para dar grão de cada loira espiga
e o jato turvo dum ardente mosto.

Salvador Rueda
(1857-1933)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.

La cigarra

Canta tu estrofa, cálida cigarra,
y baile al son de tu cantar la mosca,
que ya la sierpe en el zarzal se enrosca
y lacia extiende su verdor la parra.

Desde la yedra que a la vid se agarra
y en su cortina espléndida te embosca,
recuerda el caño de la fuente tosca
y el fresco muro de la limpia jarra.

No consientan tus élitros fatiga,
canta del campo el productivo costo,
ebria de sol y del trabajo amiga.

Canta y excita al inflamado agosto
a dar el grano de la rubia espiga
y el chorro turbio del ardiente mosto.

Salvador Rueda.
(1857-1933)

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A melancia


Tal qual se abrisse de repente o dia
emitindo uma intensa lumeirada
que pelo aço afiado foi rasgada
mostrou vermelha a carne a melancia.

Carmim incandescente parecia
a longa e deslumbrante navalhada
como boca de fogo, e liberada,
fresca e torrencial, a hemorragia.

Fatia trás fatia foi então caindo,
que a faca devagar foi dividindo
vivas para ilusão todas tão cruas.

Quando a mão separou cada segmento
foi o prato decorado num momento
dum círculo de sangue em meias luas.

Salvador Rueda
(1857-1933)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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Explicando uma tarde Anatomia


Explicando uma tarde Anatomia
um sábio professor
do coração dava aos seus alunos
perfeita descrição.
Atordoado à causa das tristezas
a cátedra deixou;
com risco de ser tido como louco
com alterada voz:
Dizem, senhores, ele exclamou pálido,
ninguém nunca tentou
viver sem essa víscera preciosa.
Erro, em crasso erro estão!
Um ser tão do meu ser, a minha filha,
ontem me abandonou;
as filhas que aos pais abandonam
já não têm coração!
Lá, um aluno dessa sala escura,
no fundo murmurou,
enquanto os outros, espantados, ouvem
tanta pública dor,
sorrindo pra um colega que era amigo
baixando a sua voz:
Pensa, à filha o coração lhe falta...
quando tenho-o eu só!

Eusebio Blasco
(1844-1903)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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Os sinos


Eu as amo, eu as ouço,
como o murmúrio do vento,
tal qual ouço o som da fonte,
e o balido do cordeiro.
Como os passarinhos, eles,
quando aparece nos céus
do amanhecer um só raio,
cumprimentam com seus ecos.
E com prolongadas notas
espalham seu som sincero,
nas planícies, nas colinas,
pacífico e lisonjeiro.
Si eles calaram pra sempre...
Quão tristes ventos e céus!
Quanto silêncio na igreja,
esquisito a quem morreu!

Rosalía de Castro
(1837-1885)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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Outubro



Deitado estava eu na terra em frente
dos infinitos campos de Castela,
naquele outono envolto na amarela
doçura de seu claro sol poente.

O arado em paralelo, lentamente,
deixava no terreno a sua estela
e as honestas mãos colocavam nela,
partida, na sua entranha, a semente.

Pensei o meu coração lá me arrancar,
cheio dum sentimento alto e profundo,
no sulco atirar do terroir terno,

a ver se com parti-lo e com plantar
mostrava a primavera pelo mundo
a pura árvore do amor eterno.


Juan Ramón Jiménez
(1881-1958)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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Soneto à Lua


A Lua enquanto dormes te acompanha,
te ilumina o cabelo se está à frente,
e depois do semblante, lentamente,
ao seio vai e suas cumbres banha.

Eu, Lesbia, no umbral de sua entranha
não durmo, choro e rogo inutilmente,
e o curso dessa Lua reluzente
ditoso hei-de seguir se o amor amanha.

Hei-de entrar, tal qual Lua, no aposento,
vou andar onde repousas tal qual dela
e vou-me tal qual dela aproximar.

Tal qual dela vou aspirar o seu alento,
e, tal qual essa deusa branca e bela,
puro, trémulo e mudo me apartar.


José Somoza
(1781-1852)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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Apegado a mim


Cotão do meu mesmo seio
que nas entranhas teci,
cotãozinho friorento,
vem, dorme apegado a mim!
A perdiz dorme no trevo,
vai sua batida a ouvir.
Não se perturbe do alento,
vem, dorme apegado a mim!
Tremente erva esverdeada,
se do assombro vive assim,
não se solte do meu peito:
vem, dorme apegado a mim!
Eu tudo tenho perdido,
tremo agora ao dormir.
Não se escorra do meu braço:
vem, dorme apegado a mim!

Gabriela Mistral
(Lucila Godoy Alcoyaga)
(1889-1957)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
· 0 comentarios · ♥ 2 Canción de cuna Traducción

Balanço

O mar, suas milhares ondas
balança divino.
Ouvindo amorosos os mares,
balanço meu filho.
Errantes os ventos na noite
balançam aos trigos.
Eu ouço amorosos os ventos,
balanço meu filho.
Deus pai, aos seus milhares mundos
balança sem ruído.
Sentindo suas mãos na sombra,
balanço meu filho.

Gabriela Mistral
(Lucila Godoy Alcoyaga)
(1889-1957)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles e Geny Pereira.
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Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !

Não vejo nada assim enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim! ..."

~•~•~•~•~•~•~•~•~••~•~•~•~•~•~•~•~•~

Fanatismo

Mi alma de soñarte anda perdida.
¡Mis ojos ya de verte no han de ver!
¡Ni eres la razón para mi ser
por ser ya para mí toda mi vida!

No veo nada así de enloquecida...
¡Voy por el mundo, Amor, para leer
del libro misterioso de tu haber
la misma historia tan y tan leída!

Todo pasa en el mundo en frágil vaso...
¡Cuando me dicen esto, será acaso
que una gracia divina me habla en mí!

Con mis ojos en ti voy dando pistas:
¡Mueran mundos o estrellas, con que existas,
tendré el principio y fin de Dios en ti!...

Florbela Espanca

Nasceu a 08 Dezembro 1894
(Vila Viçosa)
Morreu em 08 Dezembro 1930 (Matosinhos)


Tradução e adaptação do poema original em português Salvador González Moles e Geny Pereira.
· 0 comentarios · ♥ 1 Romance Traducción

Romance do Douro


Rio Douro, rio Douro
ninguém pra te acompanhar baixa:
ninguém se detém pra ouvir
tua eterna estrofe de água.
Indiferente ou covarde
volta a cidade a mirada.
Não quer ver no teu espelho
sua muralha desdentada.
Tu, velho Douro, sorris
entre tuas barbas de prata,
moendo com seus romances
as colheitas desgraçadas.
E entre os santos de pedra
e as alamedas mágicas
passas levando nas ondas
palavras de amor, palavras.
Quem pudesse, tal qual tu,
quieto deixar as pegadas,
cantar sempre o mesmo verso
mas com diferente água.
Rio Douro, rio Douro,
ao teu lado ninguém baixa,
já ninguém quer atender
tua eterna estrofe que passa,
se não os apaixonados
que perguntam por suas almas
e semeiam nas espumas
palavras de amor, palavras.

Gerardo Diego
(1896-1986)

Tradução e adaptação do poema original em espanhol, Salvador González Moles y Geny Pereira.
· 3 comentarios · ♥ 6 Soneto

Oh grande entre los grandes

Oh grande entre los grandes de la altura
que asciendes como el ave en dulce vuelo
huyendo del jardín y la clausura
que guarda tu enraizado y noble anhelo.

Oh guardia verdinegro, tu armadura
se confunde en el césped que en el suelo
te alfombra con fresquísima verdura
y alimenta en lo oculto de su celo.

Oh siempre vertical, solo y presente,
continuo como el canto en el espacio,
del claustro ensoñación reverberante.

Oh salmodia que al viento impenitente
resuenas en el cielo azul topacio;
¡oh fiel recuerdo de mi fe distante!



El sueño del ciprés

Un ciprés entre piedras se devana
y rebasa las cumbres del tejado,
batallando en el viento, cimbreado,
en una guerra que ninguno gana.

Inmóvil tiende sobre la besana
la sombra junto al surco del arado
que salta la clausura del cuadrado
en huida solitaria siempre vana.

Entretanto en la altura se desliza
y se clava su copa en lo celeste
la vista sobre él se cristaliza.

Verdinegro soldado de lo agreste
que otra ronda en un sueño realiza
del Norte al Sur, del Este hacia el Oeste.
· 2 comentarios · ♥ 5 Glosa Soneto

La larde cae en tu cuerpo

La tarde de mis sueños va llegando
sobre las cordilleras de tu cuerpo,
en tanto que mis ojos solo siguen
las luces del ocaso en tu cintura.

No fui de las pasiones más esclavo
que esclavo siempre fui de tu presencia,
aquella que me ata a los contornos
de la blancura tibia de tu espalda.

Y en esa vida voy muriendo entonces
sin más aspiración que alguna tarde
se caiga para mí de entre tus manos.

Amor, pero no sueltes las cadenas,
y mira lo cercano de los filos
del hondo precipicio de la noche.


De Ligia Calderón Romero (Glosa)

La tarde de mis sueños va llegando
sobre las cordilleras de tu cuerpo,
en tanto que mis ojos solo siguen
las luces del ocaso en tu cintura.
Un día en los umbrales de mi patria
despertaron los prístinos abriles
fugaces como flor de un día. Hoy,
la tarde de mis sueños va llegando.

Entonces la alborada sucumbía
en el sacro jardín de tus dulzores
y al otro instante semejaba un ángel
sobre las cordilleras de tu cuerpo.

Aún escucho los turpiales tuyos
al correr de los oxidados trenes
en tanto que mis ojos solo siguen

buscando en tus fanales las estrellas
y, a la muerte del fénix, encender
las luces del ocaso en tu cintura.


Acabaste aquel poema

Ay mis versos que esperaban pero no sabían cuánto
y los puse en la ventana ignorando si vendrías,
se mustiaron poco a poco de mirar al horizonte
y el camino polvoriento allanado de alpargatas.

Ay pasaban labradores a sembrar entre los surcos
paralelos del arado del sudor y las fatigas,
y del tiempo la besana floreció de verdes pastos
y mis versos esperaban los llenaras con tu pluma.

Y un buen día que observaba el camino polvoriento
una nube diminuta tras los pasos se acercaba
y de pronto vi tu rostro que agotado de la senda

regresaba tras mil años con la fuerza entre las manos;
completaste aquellos versos con tu glosa y tu semblante,
y me hiciste el más dichoso acabando aquel poema.
· 5 comentarios · ♥ 6 Sextina

Amanecer

Se fueron ya los sueños con la aurora
al mundo de lo onírico intangible
y resuenan bellísimas estrofas,
un poema de luz es cuando crece
el día que se cuaja de contornos
y de claros colores en el Este.

Las luces se levantan en el Este
y perfilan espacios en la aurora,
de noche fueron fríos, sin contornos,
y ahora difuminan lo intangible;
al fondo el horizonte crece y crece
llenándose de vida las estrofas.

Son brillantes y nítidas estrofas,
luciérnagas azules en el Este,
van yendo tras la noche, cuando crece
el pulso renovado de la aurora,
y persiguen lo arcano e intangible
a la vez que matizan mil contornos.

Nada tienen de nuevo los contornos,
igualan los de ayer, mas las estrofas
de luz son diferentes; lo intangible
del tiempo que comienza por el este
impulsa con la fuerza de la aurora
a sentir la esperanza cómo crece.

Al punto que amanece todo crece
en número de formas y contornos,
subiendo como espuma por la aurora;
más libres y animosas las estrofas
se plasman de colores en el Este
relegando la sombra a lo intangible.

El mundo de la noche es intangible,
es como un embeleco cuando crece,
pero luego rehúye si en el Este
el buril va apurando los contornos;
¡qué hermosas con el día las estrofas
llevando las esencias de la aurora!

Intangible, al comienzo, cada aurora,
crece siempre, de pronto, y los contornos,
como estrofas, se escriben en el Este.
· 6 comentarios · ♥ 5 Alabanzas Navidad Soneto

Intimidad

Solos mi Niño estamos, Tú dormido
en el pobre pesebre; al Nacimiento
no lo toca ni un pálpito de viento
en esta intimidad sin ningún ruido.

Me acerco y me arrodillo, Dios nacido;
y cómo mira Madre, de contento
estalla el San José sin movimiento,
¡qué gozo, mi pequeño, haber venido!

Mi fe está conmovida de alegría
en nuestra soledad al fin de día;
te despiertas, me hablas y parece

quisieras del Portal escabullirte
conmigo, y en mis brazos rebullirte,
y mi mano buscándote te mece.
· 0 comentarios · ♥ 3 Tanka
Nunca te he visto

Nunca te he visto,
Dios mío en esta vida,
pero el amor
que le tengo a mi esposa
de Ti me habla.
· 6 comentarios · ♥ 3 Alejandrinos

Pueblo deseante

Mi patria son tus ojos donde quiero estar preso
detrás de tus pestañas, donde está tu retina,
junto al eco callado de la imagen, y el eco
de las cosas sagradas que miraste en la vida.

Mi patria, tus suspiros que renuevan alientos,
los alientos precisos de la esperanza mía,
por tus hijos crecidos, por tus hijos pequeños
que en mi casa llenaron de luz cada esquina.

Mi patria son tus brazos que me gritan de lejos
y esa voz cuando llego me susurra tranquila,
y es que allí mis pesares se convierten en buenos
y los malos augurios se destruyen y arruinan.

Mi patria es tu semblante y el profundo silencio
del carmín de tus labios que a tu boca matiza
y la palabra escueta que se te queda dentro,
aquella que comprendo, sin dudar enseguida.

Mi patria son tus piernas aéreas en vuelo
que te elevan y alejan del suelo que pisas
hasta tocar las nubes de color ceniciento
sobrepasando ingrávida la espesa neblina.

Mi patria son tus manos que me aprietan con celo,
que tiran cada puerta y tapia de cal viva,
donde después te pongo un anillo en el dedo
que te baja del cielo una estrella que brilla.

Mi patria es la morada gentil donde tus senos
acogen dulcemente a mi torpe caricia,
porque nunca se espantan si te dejara en ellos,
con ansiedades luego, la sed de la vista.

En mi patria descanso, en tu alma y tu cuerpo,
y al pronunciar tu nombre que todo significa,
y allí seguiré siendo el clamor de tu pueblo
de siempre deseante de tierra prometida.
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